quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Aos Trancos e Barrancos


A princípio eu queria escrever algo que sucitasse uma discussão no blog e que pudesse também ser tema de uma enquete: fui vencido pela falta de inspiração e desisti.

Depois decidi redigir um texto sobre amizade, falando de como meus círculos sociais mudaram e, padoxalmente, me acompanharam ao olongo da minha vida: 2 horas na frente do computador escrevendo e apagando um texto que simplesmente não queria sair.

Pensei em fazer retomar um texto sobre "Angústia", mas a vontade já tinha passado: quem sabe no próximo post.

Enfim, e quem sabe atendendo aos vossos anseios por posts mais curtos, escrevi essa pequena explicação (ou seria "enrolação"?). Minhas idéias estão sem pé nem cabeça, sem começo (ou só com começo?) nem fim. Talvez seja estresse da volta as aulas...

*a imagem que achei para descrever meu estado mental é "Relatividade" de M.C. Escher.

sábado, 9 de agosto de 2008

The Moon Path


Acabei de ler Roverandon pela segunda, e já que o último post é sobre um filme, este TEM que ser sobre um livro. Roverandon é um livro pouco conhecido do J. R. R. Tolkien. A história se desenvolveu durante uma das férias da família Tolkien, feita para as duas crianças mais velhas (o mais novo era um bebê na época). Riquíssimo em jogos de palavras, muito se perde na tradução para o português, mas nada que ler os apêndices não resolva. Selecionei 3 palavras. A primeira devido a forte impressão que me causou, e as 2 últimas pela genialidade.


1-Moon Path: O caminho de prata que se forma quando a lua nasce no mar. Caminhando por ele pode-se chegar a lua.


A seguir, 2 nomes de insetos em Roverandon:


2-Bread-and-Butter-Fly: Para os menos versados em inglês "Butterfly"="borboleta", "Bread and Butter"="Pão com Manteiga".


3-Snap-Dragon-Fly: Esse até eu não sabia "Dragonfly"="Libélula", e "Snap-Dragon" é uma brincadeira natalina em que se mergulha Uvas Passas em conhaque para flamba-las e comê-las ainda em chamas.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Meme: Quando fala a Sétima Arte


A karina me passou esse Meme e eu, para respondê-lo, decidi apelar para o meu filme preferido. O Conde de Monte-Cristo.

Adaptação de um romance francês de Alexandre Dumas (pros incultos, o mesmo autor de "Os 3 Mosqueteiros"), o filme conta a história de um jovem pobre Edmond Dantes, um audacioso mas ingênuo marinheiro, é preso sob falsa acusação, em 1815, por ter ido à Ilha de Elba (primeira prisão de Napoleão), onde teria encontrado Napoleão em seu exílio. Na verdade, era vítima de um complô entre três pessoas interessadas: o juiz Villefort, filho do destinatário da carta de Napoleão, que mesmo atestando sua inocência, quis silenciá-lo; o seu amigo, Danglars, que desejava o posto de capitão do navio, já que Dantes recebeu o posto por mérito, e Fernand Mondego, amigo de infância de sua noiva que, em seguida, casou-se com sua amada, a catalã Mercedes (que, porém, nunca o esqueceu).


Ele é preso no Chateau D'Iff, e lá se torna amigo de padre, que engedram um meio para a sua fuga. Enquanto isso, o padre o intrui e o ensina esgrima. Pouco antes da fuga, o Padre morre, dando a Edmond um mapa que levava ao fabuloso tesouro de Spada, e ele jura que ao padre que vai usa-lo em sua vingança, tema do filme.

Enfim, o filme cheio de cenas fortes e frases dignas de serem cantadas em salmos, mas minha eleita é a frase com que Ferdinand, que estava em fuga, dá meia volta com o cavalo e retorna para combater Edmond:

"Eu não poderia viver em um mundo onde você tem tudo e eu não tenho nada"
O filme trata não só sobre vingança, mas tambem sobre traição e fidelidade. O filme é lindo. Quem não assistiu não sabe o que cinema. E dizem que o livro é incomparavelmente melhor, ainda não pude averiguar.

sábado, 2 de agosto de 2008

Dragões

As olimpíadas de Pequim (Beijing é a mãe!) estão pra começar, então achei útl fazer um post sobre o símbolo do antigo império chinês: O dragão.
Uma das lendas do surgimente do Dragão Chinês remonta a própria unificação da china. Dizem que quando o reino de Chin (por isso China, sacou?) começou a conquistar os reinos mais fracos ao seu redor, o mítico Imperador Amarelo para assegurar um sentimento de unidade nacional nos povos conquistados, passou a agregar seus totens (cada reino teria um animal símbolo). Assim o Dragão se formou do corpo Serpente, a cabeça do Tigre, os chifres do Touro (uns dizem que é do Carneiro), a cauda (e o bigode) da Carpa, e as garras da Águia.




Interessante notar que esse Dragão esguio e serpentiforme é comum Tambem em outros países orientais, como o Japão e a Coréia, mas com uma leve diferença. O Dragão Chinês tem 5 dedos, O Coreano costuma (costuma, não é sempre) ter 4, e o Japonês tem 3.























Chinês a esquerda. Japonês a direita.

Um lenda chinesa explica o fato dizendo que sendo um criatura intrinsecamente ligada a China, conforme se afasta de sua terra natal, ele vai perdendo dedos, até não poder mais andar, o que explica por que só existem Dragões Orinentais no oriente (é sério!!! Oo). Já um lenda japonesa, diz que como os dragões são intrinsecamente ligados ao Japão, conforme eles caminham para o oeste, eles ganham dedos, até não poderem mais andar (?).

Como surgiu o Dragão Ocidental da primeira foto. Não sei ao certo, mas os árabes devem ter levado da China para a Europa. E falando de diferenças entre dragões Orientais e Ocidentais, aí vai uma que pouca gente sabe: no Oriente, os Dragões são ligados a água, e não ao fogo, como os do Ocidente (o Wushu de Mulan solta fogo, mas lembrem-se que foi produzido pela Disney, um empresa norte-americana).

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Absurdo

Alguém aí já ouviu falar do "an passant"? ("de passagem", no meu melhor francês)

É uma jogada incomum do xadrez que o jogador tem a sua disposição quando o seu peão está na quinta casa e o adversário tira um peão seu da posição original usando o "salto do peão" (no xadrez, todo peão que está na casa original tem o direito de avançar duas casas de uma vez) e o coloca exatamente ao lado daquele seu peão na quinta casa. Enfim, a jogada consiste em imediatamente (imediatamente e não depois!) deslocar seu peão para a retaguarda do peão adversário andando um casa diagonal e capturando seu peão. Um roubo permitido pelas regras! Enfim, um absurdo! Mas não é isso que eu vim falar...

Fui assistar a um filme com meus amigos (o filme aliás é péssimo. "Fim dos Tempos", esteja avisado, e avistando, passe longe!), mas, contudo e todavia, havia um matemático que propôs um enigma muito semelhante a algo que tinha escutado em uma outra hstoria, mais a meu gosto. Aí está ela como minha memória me permite lembrar. Quem quiser ler uma narrativa mais fiel, procure em um livro chamado "O homem que calculava", quase certeza que está lá, e se não estiver, é um bom livro mesmo assim.

O xadrez é um jogo antiquíssimo, e muitas lendas contam a sua origem, uma das quais nos diz que foi inventado na Índia. Quando o rei Cheram o conheceu, ficou maravilhado com o engenho do inventor, o seu súdito Seta, e a múltipla variedade de posições que no jogo são possíveis.Mandou então chamar Seta para o recompensar pessoalmente pelo invento. Seta apresentou-se ao soberano vestido com muita modéstia.

- Seta, quero recompensar-te dignamente pelo engenhoso jogo que inventaste - disse o rei.
O sábio agradeceu, mas não aceitou a generosidade.

- Sou rico que chegue para satisfazer todos os teus desejos - replicou o rei. Diz-me a recompensa que desejas e eu te satisfarei.

Seta continuou calado.

- Não sejas tímido, diz o que queres, não hesitarei em satisfazer os teus desejos.

- Grande é a vossa magnanimidade, ó soberano, porém concedei-me um curto prazo para meditar na resposta, e amanhã, depois de árduas reflexões, vos comunicarei o meu pedido.

Quando, no dia seguinte, Seta se apresentou de novo ante o trono, deixou o rei maravilhado pelo seu pedido inaudito.

- Soberano - disse Seta -, mandai que me entreguem um grão de trigo pela primeira casa do tabuleiro de xadrez.

- Um simples grão de trigo? - retorquiu admirado o rei.

- Sim, soberano, e, pela segunda casa, ordenai que me entreguem dois grãos, pela terceira, quatro grãos, pela quarta, oito, pela quinta, dezasseis, pela sexta, trinta e dois etc.

- Basta - interrompeu o rei, irritado - receberás o trigo correspondente às 64 casas do tabuleiro, de acordo com o teu desejo: por cada sucessiva casinha receberás a dupla quantidade que pediste, porém deverás saber que o teu pedido é indigno da minha generosidade; ao pedires-me tão mísera recompensa menosprezas irreverentemente a minha benevolência. Na verdade, como sábio que és, deverias ter dado maior prova de respeito ante a bondade de teu soberano. Sai daqui, meus servos te darão esse saco de trigo que solicitaste.Os matemáticos da corte trabalharam intensamente para calcular a recompensa de Seta, que ficou à espera à porta do palácio real. Só ao amanhecer do outro dia o matemático chefe da corte solicitou audiência para apresentar ao rei uma informação muito importante:

- Ó rei, calculámos escrupulosamente a quantidade de grãos que Seta deseja receber. Resulta uma cifra astronómica, absurdamente gigantesca.- Seja qual for a sua grandeza - interrompeu com altivez o rei -, os meus celeiros não se esvaziarão, prometi dar a recompensa a Seta, pelo que lha darei.

- Senhor, não depende da vossa vontade cumprir semelhante desejo: em todos os vossos celeiros não existe a quantidade de trigo que exige Seta. Nem sequer em todos os celeiros de todo o reino, nem até nos celeiros de todo o mundo. Se desejais entregar sem falta a recompensa prometida, ordenai que todos os reinos da terra se convertam em lavouras, mandai secar mares e oceanos, que se fundam todos os gelos e todas as neves que cobrem os distantes desertos do norte, que todo o espaço seja totalmente semeado e que toda a colheita seja entregue a Seta. Só então receberá a sua recompensa.

- Dizei-me qual é esse número tão monstruoso de grãos, disse o rei, espantado.

- Ó soberano, são 18.446.744.073.709.051.615. Ou seja, é o mesmo que 2 elevado à potência 64 menos 1... A recompensa do Inventor do Xadrez deverá ocupar um volume aproximado de 12.000 Km3. Se o celeiro tivesse 4 metros de altura e 10 de largura, o seu comprimento teria que ter 300.000.000 de quilómetros, ou seja, o dobro da distância que separa a terra do sol.

Xeque-mate! O que tem haver essa história com o an passant? Nada. Um absurdo eu ter obrigado vocês a lerem...

A proposito, a primeira figura faz parte de um quadro gigantesco do M.C. Escher. Quem quiser ver na íntegra procure por "Metamorfose 3"

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Coisas que quero ensinar aos meus filhos...


Não me recordo se foi um grego ou romano, mas um desses historíadores clássicos comentou que "os persas só se importam em ensinar 3 coisas a seus filhos: andar a cavalo, usar o arco e falar a verdade". Bom, posso garantir que meu pai me ensinou a dizer a verdade, de um jeito bem doloroso aliás, e é algo que eu pretendo passar adiante, mas esse post é pra comentar um desejo mais interessante...

Parece carma, ou talvez um dejà vu extremamente repetitivo, mas é lugar comum nas minhas partidas de xadrez (que aliás andam muito esporádicas e raras. Bora marcar uma partida, Melo?) um expectador perguntar "onde tu aprendeu a jogar?", não sei se por que isso desvia minha mente absorta, mas a resposta sempre me surpreende, "meu pai". *Agora o leitor talvez esteja achando que eu jogo bem, primeiro por me orgulhar de jogar, segundo por dizer ter expectadores, bem... Sinto decepcioná-los, mas não. Sou um jogador mediocre, nem bom, nem ruim. Mediocre.* É algo estranho que algo tão, por falta de termo melhor, "lesinho" tenha me marcado tanto. Mas sabe, quero que esse "algo estranho" acompanhe meus filhos tambem...

*No próximo post, algo sobre Xadrez...


quinta-feira, 10 de julho de 2008

Proverbialmente, não se pode...


...tapar o sol com peneira.
...acender uma vela a Deus e outra ao Diabo.
...sair na chuva sem se molhar.
...tirar leite de pedra.
...agradar a gregos e troianos.
...assoviar e chupar cana.
...pôr o carro na frente dos bois.
...remar contra a maré.
...dar murro em ponta de faca.
...meter os pés pelas mãos.

*Estraído de "A Miscelânia". Um compêndio inestimável de conhecimentos inúteis, além de divértidíssimo, é claro.